Quando um espumante brasileiro chega a 97 pontos em uma competição internacional realizada em Mendoza, vale prestar atenção. Foi o que aconteceu com o Garibaldi Moscatel, da Cooperativa Vinícola Garibaldi, um dos grandes destaques da 23ª edição do Vinus, concurso que reuniu 521 amostras de 17 países. O resultado rendeu ao rótulo uma medalha de ouro duplo, distinção reservada aos vinhos que ultrapassam 95 pontos na avaliação do júri. E ele não voltou sozinho. A vinícola gaúcha conquistou dez medalhas na competição, realizada em agosto, sendo duas de ouro duplo, seis de ouro e duas de prata.
Para chegar aos 97 pontos, o Moscatel apresentou justamente algumas das características que ajudam a explicar sua presença entre os premiados. Elaborado pelo Método Asti, com Moscato Branco e Moscato Giallo, o espumante equilibra açúcares e acidez, combinando frescor com intensidade aromática. O segundo ouro duplo da Garibaldi ficou com o Garibaldi Chardonnay, que alcançou 96 pontos. Produzido pelo método Charmat, o espumante tem perfil mais estruturado, com notas frutadas e um toque delicado de pão tostado.
A maior parte das medalhas conquistadas pela vinícola veio justamente dos espumantes: foram sete premiações na categoria. Entre os ouros estão ainda o Garibaldi Viognier, Garibaldi VG Nature Blanc de Blanc, Garibaldi Floratta, Garibaldi Prosecco Rosé e Garibaldi Pinot Noir. O vinho Garibaldi Sauvignon Blanc completa a lista de rótulos que receberam medalha de ouro.
Entre as medalhas de prata, uma chama atenção pela novidade. O Garibaldi VG Chardonnay, lançado em 2026, recebeu sua primeira medalha em concursos. O outro vinho premiado na categoria foi o Garibaldi Acordes Merlot. O desempenho da vinícola ganha ainda mais peso quando se olha para a composição do júri. A avaliação reuniu 33 profissionais, entre enólogos, sommeliers, jornalistas, compradores e críticos.
E há uma pequena ironia geográfica interessante nesse resultado: os vinhos brasileiros foram avaliados justamente em Mendoza, um dos territórios mais associados à cultura do vinho na América do Sul. Voltar de lá com dez medalhas é, portanto, uma boa oportunidade para lembrar que a vitivinicultura brasileira também tem histórias interessantes para contar.
Para quem gosta de espumantes e quer descobrir o que está sendo produzido por aqui, o resultado do Vinus oferece uma boa pista: talvez seja hora de olhar um pouco mais para as borbulhas brasileiras.
Foto: André Luis Rech
