Crème Brûlée, muito mais que uma sobremesa… uma experiência cinematográfica!

Por: Silvana Marpoara, colaboradora da coluna CineGastrô, jornalista, produtora cultural, colunista de cinema das rádios CBN Recife e Jornal, professora universitária e uma apaixonada por Amélie Poulain e o crème brûlée.

Fecho os olhos… sinto o aroma doce da baunilha… escuto no meu imaginário a trilha do filme… e, assim, me transporto ao café Deux Moulins, no bairro de Montmartre/Paris, onde estive em 2013 apenas para isso: comer o verdadeiro “crème brûlée” do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Tantos anos depois de ter me encantado com o filme – que mudou completamente a minha história de vida – sinto o mesmo prazer e emoção, aqui no Recife, na Taberna do Soto – do chef Gustavo.
Assim como as boas coisas da vida, essa sobremesa de origem francesa (mas que tem variantes na Espanha e Inglaterra) é de uma simplicidade e delicadeza que me faz apreciar cada colherada, assim como a personagem da garota altruísta que só pensava em fazer o bem aos outros. Nesse caso, quem faz um bem enorme à minha memória e ao meu paladar é o chef uruguaio – radicado no Recife há alguns anos –, que além de dominar as iguarias do seu país (as famosas empanadas!) agora se arrisca a nos presentear com essa porção de carinho em forma de doce.

O crème brûlée – ou creme queimado – é uma mistura de gemas levemente batidas com açúcar, creme de leite fresco pré-aquecido e as sementes da fava de baunilha. Essa mistura é levada ao forno (em banho maria), por quase 1h, e depois resfriada na geladeira – de um dia para o outro – para apurar melhor o sabor. Só então, a característica camada de açúcar é generosamente colocada em casa porção e com um maçarico é intensamente queimada até criar uma crosta. É essa casquinha dourada que faz toda a diferença e o charme dessa receita.

Afinal, charme pode ser uma boa definição para esse filme de 2001, que concorreu à categoria de filme estrangeiro no Oscar, ganhou outros diversos prêmios pelo mundo e que criou uma legião de fãs de Amelie e seu jeito tão especial de conduzir a vida. Particularmente, tenho uma verdadeira paixão pelo filme, pela França, pela personagem e por tudo que integra esse roteiro. E, por consequência, pelo crème brûlée e sua casquinha. Não à toa, essa é a opção mais pedida no cardápio do café Deux Moulins, que serviu de cenário para o filme, e que virou atração turística na capital francesa.

Desde os tempos de seu possível criador, Filipe de Órleans, por volta de 1691, até os dias atuais, quebrar essa capa de açúcar caramelizada é um dos mais deliciosos rituais da nouveau cuisine. E eu levo esse momento muito a sério, ehehehehehe… uso a ponta de uma colher para quebrar a partir do centro do pote de louça e aos poucos integro pedaços da crosta (ainda quente) com o creme gelado – um dos contrastes mais saborosos da confeitaria internacional. Assim como Amelie também acho esse um dos maiores prazeres da nossa existência e sempre que vejo num cardápio acabo experimentando… só para vivenciar essa experiência mais uma vez!

No filme a personagem principal cita vários prazeres, ditos simples, como enterrar a mão num saco de sementes ou olhar para trás – na sala de cinema – apenas para observar a reação das pessoas diante de um filme. Mas, além de ter gestos de bondade e viver em busca de prazeres “O fabuloso destino…” nos mostra um filme esteticamente lindo, colorido, cheio de efeitos visuais, com uma trilha especialmente composta para ele – e que sempre que escuto tenho uma vontade imensa de sair dançando por ai – e também repleto de sabores e referencias gastronômicas: ela toma chá, prepara bolinhos, compartilha a mesa com seu pai, trabalha num típico café parisiense, etc…

Mas é o amor que move essa francesinha… E eu ficaria páginas e páginas aqui dissertando sobre isso, e sobre o filme e tudo que ele me inspira. Inclusive, na tentativa de reproduzir o crème brûlée em casa. Já tentei várias vezes, algumas frustradas, outras nem tanto, mas ter um amigo chef de cozinha e tão atento aos desejos femininos faz toda a diferença. Pois, ganhei mais um ótimo motivo para ir até a Taberna do Soto. Vale também lembrar que as variantes dessa receita de cinema pode ser o acréscimo de chocolate, pistache, frutas vermelhas ou ainda toques de laranja ou limão… Todas combinações perfeitas, assim como o filme! Dica: assista ou reveja O Fabuloso Destino e Amélie Poulain e desfrute do crème brûlée, sem moderação… eheheheheheheh.

Serviço:
Taberna do Soto
Quarta a Domingo, a partir das 17h
R. João Dias Martins, 46 – Boa Viagem – (81) 3048-7563
Crème Brûlée: R$ 11,00 (porção)

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