Mesmo com a diversificação dos hábitos alimentares e o crescimento de demandas ligadas à saúde e a restrições nutricionais, arroz e feijão continuam ocupando lugar central na mesa do brasileiro. A combinação permanece como pilar do padrão alimentar do país, sustentada por valor nutricional, acessibilidade e tradição cultural.
Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, confirmam que arroz e feijão seguem entre os alimentos mais consumidos nos domicílios brasileiros, desempenhando papel estratégico na segurança alimentar, especialmente em um contexto de atenção ao custo dos alimentos.
Ao mesmo tempo, pesquisas de comportamento mostram o avanço de demandas mais específicas. Segundo o levantamento Tendências de Consumidores 2025, da GS1 Brasil, cresceu o número de consumidores que observam a presença de alergênicos como glúten e lactose nos rótulos, movimento que reflete maior atenção à composição dos produtos, sem indicar abandono dos alimentos básicos da dieta.
“É fundamental destacar que arroz e feijão continuam sendo protagonistas na alimentação do brasileiro, tanto pela qualidade nutricional quanto pelo preço acessível. O que vemos é o surgimento de públicos com necessidades específicas, que buscam alternativas complementares”, afirma Rodrigo Gross, diretor nacional de vendas da Josapar.
Nichos – Levantamento da Scanntech aponta que categorias com apelo saudável, como produtos integrais, sem glúten, sem açúcar e opções vegetais, já representam cerca de 11 por cento do faturamento do varejo alimentar brasileiro. Trata-se, porém, de um consumo concentrado em nichos específicos, ainda complementar ao mercado tradicional.
Nesse cenário, a indústria amplia portfólios de forma gradual. Empresas do setor passam a oferecer versões integrais, mixes de grãos e alternativas voltadas a restrições alimentares, enquanto mantêm o foco nos produtos essenciais que estruturam a alimentação cotidiana. “O desafio está em fortalecer o que é básico e essencial, garantindo qualidade e acesso, ao mesmo tempo em que se atende à diversidade de perfis que hoje compõem o consumo”, conclui Gross.
A leitura do setor indica que, apesar das transformações no comportamento alimentar, arroz e feijão seguem firmes como símbolo de identidade, equilíbrio nutricional e base da comida do dia a dia no Brasil.
